Inflamação na gengiva é problema sério
 
Ficar de olho na gengiva é uma pista básica para identificar se há possibilidade de desenvolver doenças periodontais – qualquer uma que acomete os tecidos de sustentação dos dentes. “Qualquer alteração é motivo para desconfiar. Gengivas vermelhas e inchadas, que sangram com a escovação, alertam que pode haver produção de toxinas que irritam a mucosa”, explica o dentista Marcus Werneck, especialista em reabilitação bucal e odontogeriatria. 
 
 

Esse estágio inicial (gengivite) pode ser revertido e impedir que danos sejam espalhados pelos órgãos do corpo.

Se não houver cautela nessa fase, o osso e as fibras de sustentação que mantêm os dentes em posição são danificados. “Há formação de uma bolsa que avança para baixo da gengiva, em que se armazenam os detritos. Há o risco de perda dos dentes”, adverte Werneck. A ausência de dentição é comum entre os idosos. Só para se ter idéia, segundo o Ministério da Saúde, há 30 milhões de brasileiros sem dentes. A cada quatro pessoas com 60 anos ou mais, três não têm dentes na boca, o que favorece dor de cabeça, de coluna, e desalinhamento da arcada dentária.

O professor universitário aposentado, Early Macarty, 76 anos, enfrentou os prejuízos causados por alterações na estrutura dentária. “Para acabar com os inconvenientes trazidos pela falta de dentes, coloquei próteses. Também fiz restaurações e clareamento”, conta Early, que faz pelo menos duas revisões com o dentista anualmente. “Só tenho receio de fazer implante porque tenho diabete. Sei que os diabéticos precisam de cuidados especiais”.

   
  Médicos e dentistas devem trabalhar juntos
 
Uma dor constante e intensa na nuca e do pescoço. Depois, na região posterior dos olhos. Par aliviar, um indivíduo que cansou de recorrer a analgésicos decide fazer exames neurológicos. O médico analisa o resultado e descarta a existência de tumor cerebral. Se ele for adepto do intercambio da medicina com a odontologia, provavelmente encaminha o paciente para uma revisão dentária. Por que? É que é possível que a sensação desagradável seja fruto de dentes que desalinham a arcada dentária ou de algum abscesso na boca.
 

“Isso não é rotina. São poucos os médicos e dentistas que atendem o doente a partir de uma visão orgânico-mental geral”, afirma o dentista Marcus Werneck, especialista em reabilitação bucal. “Essa conduta, não deve ser aplicada só no idoso, mas em todos. É importante tomar conhecimento sobre as doenças que o paciente tem e os remédios que usa”.

Segundo Werneck, o dentista não pode deixar de falar com o médico que cuida de uma queixa passageira ou constante do paciente. “Assim fica mais fácil ter êxito no tratamento. No meu caso, que atendo muitos idosos, sempre solicito o parecer de um médico geriatra”. O procedimento é contundente. Afinal, se não houver essa troca, fica difícil saber os tipos de drogas que os pacientes mais velhos costumam usar, como ansiolíticos e anti-hipertensivos.

 

CONEXÃO BOCA E CORPO

A gengivite pode formar bolsas entre os dentes e a gengiva, onde se acumulam restos de comida e placa. Algumas pessoas têm mau hálito freqüente ou sentem gosto ruim na boca, mesmo se a doença não estiver em estágio avançado. A fase grave, no entanto, favorece o aparecimento de patologias severas. Por outro lado, alguns problemas de saúde também comprometem a dentição. Conheça alguns detalhes:

Problemas do coração

Um sangramento na boca pode permitir que certas bactérias bucais entrem no sistema sanguíneo e atinjam as válvulas ou tecidos que foram enfraquecidos por um problema cardíaco preexistente. Nesses casos, a infecção pode danificar ou mesmo destruir as válvulas e os tecidos do coração.
Precauções devem ser tomadas por quem tem válvulas artificiais, histórico de endocardite e defeitos cardíacos congênitos.

Diabete

A doença favorece a candidíase (infecção causada por um fungo que cresce na boca) e a xerostomia (boca seca, que pode causar aftas, úlceras, infecções e cáries). Diabéticos ainda têm menos irrigação sanguínea na gengiva, situação que favorece a proliferação de bactérias.

Distúrbios alimentares

Um indivíduo com bulimia entra em um ciclo de comer compulsivamente e vomitar.
Os ácidos estomacais, durante o vômito, passam pela boca e podem desgastar o esmalte do dente e, assim, causar cáries, descoloração e perda do dente. Na anorexia, a inanição priva o organismo de nutrientes. Pode-se desenvolver uma osteoporose com um enfraquecimento dos ossos maxilares que suportam os dentes, o que favorece a perda do elemento dentário.

Problemas respiratórios

A aspiração de bactérias da boca pode levar à infecção dos pulmões e da faringe, o que promove pneumonia, sinusite e renite.


Medicamentos e saúde Bucal

Entre os remédios que podem apresentar efeitos colaterais na boca (xerostomia é o mais comum), estão os antialérgicos, descongestionantes, analgésicos, diuréticos, drogas para pressão alta e antidepressivos. Outros medicamentos podem causar inflamações, ulcerações, dormência, formigamento, alterações do paladar e sangramento excessivo da gengiva durante a escovação ou o o do fio dental.

  Fonte: Revista JC - 26 de novembro de 2006